Que as águas
de março fecham o verão todos sabem e que os ventos de abril trazem uma
nostalgia complexa aos esperançosos que se abrigam no outono, quem vive entende
bem.
O engraçado é
o nascimento de estrelas durante esta época, do seu processo de vida e morte e
o quanto perduram no espaço. E faço hoje homenagem a grandes estrelas nascidas entre esses meses, que mudaram e fizeram
parte do contexto do nosso país seja na música ou no esporte.
Quem teve a
oportunidade de acordar em uma manhã de domingo com os roncos dos motores de
Senna, acompanhar a trágica loucura de Cazuza, a poesia de Renato Russo e
acordar assobiando e pensando ao longe uma canção do Roberto, quase sem querer.
Pois é, esses
são alguns nomes abordados nessa resenha que ganharam notoriedade, abro aspas
para falar um pouco da obra de cada um deles...
Parecia
impossível começar em 13ª e terminar a corrida em
Mônaco de 1984 em 2ª lugar, a corrida cancelada pelo mal tempo não tiraria a
fome de vitória de Ayrton
Senna da Silva (21 de março) cujo olhos serenos brilhavam na viseira do
capacete transmitiam calma, confiança e uma falta despudorada de medo, talvez o
medo fosse um aliado com objetivos opostos para Senna que tão cedo apagou sua
estrela nas pistas fazendo o que amava. Talvez a forma encorajadora como
encarava a pista fosse um aviso a cada brasileiro, uma forma de dizer para cada
um levantar das poltronas e se encorajar para a vida, orgulhar-se da nação e
buscar a vitória e nada mais que isso.
Enquanto isso em uma noite qualquer do Rio de Janeiro, mais
exatamente um domingo, enquanto as poucas cadeiras povoadas de algum bar na Gávea
ou Ipanema se esvaziam, uma figura descontrolada, fala alto, berra, canta
velhas canções e chama o garçon pelo nome...Todos já conheciam bem o seu
exagero, a sua parte no show. Cazuza (4 de abril) era louco, poeta, amigo e
ríspido. Cantou o amor e a solidão e as injustiças que assolavam um país
pós-ditatorial, viu o dia nascer feliz centenas de vezes e fez o Brasil mostrar
a cara, um ícone do MPB descarado, do rock mesclado, mestiço, sambista e
mulato.
De mesma intensidade, surgia um nome em Brasília, um poeta
que tinha um sonho. Com um acervo que ia de Sid Vicious a carta aos coríntios,
Renato russo absorveu o melhor de todas as influencias para compor sua obra, do
punk á música italiana. Lider da legião Urbana, talvez a banda de pop rock mais
popular do país, Renato Manfredini Jr (27 de março) viveu uma vida cercada por
dilemas dos poetas Ingleses e o punk que modificou a personalidade do menino de
classe média do distrito federal. Suas músicas e letras retratavam o momento da
juventude atravessaram gerações e são cantadas a plenos pulmões até hoje.
As tantas emoções que o Roberto Carlos (19 de abril) viveu
certamente se devem por sua música e grandiosa obra prestigiada e regravada por
vários outros interpretes. Ao lado de Erasmo Carlos compôs baladas clássicas
respeitadas por críticos do mundo inteiro. A impressão que dá é que o Roberto
sabe de tudo, ele canta o mal de amor ou até mesmo o lado bom deste sentimento
como se entrasse na pele, na mente ou na casa de qualquer um, e certamente ele
esta na casa de todos os brasileiros até quem não gosta se rende a vossa
majestade.
Já é outono e junto a ele uma saudação a esses ícones e a
todos outros nascidos nesses meses. O processo de nascimento das estrelas é
parecido uma das outras o que modifica é o tempo que cada uma delas permanece
no espaço.
Não pude vivenciar muito de alguns como o próprio Senna que morreu no mesmo ano que nasci. Mas tenho uma grande afinidade por esses nomes que trouxeram não só muitas histórias como também um bocado de cultura pra esse nosso povo.
Que venha Abril e que venha o novo, sempre!
Um super beijo a todas e um agradecimento em especial ao meu grande amigo Adam Ramos que deu vida a essa resenha linda!

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